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O grande franchise português

por Nhex, Segunda-feira, 18.04.16

Olá, está tudo bem? E assim começa a típica conversa de quando começamos a falar com alguém a quem vamos pedir algo. Pois bem, não é sobre a arte de comunicação na Internet que eu venho falar hoje. Como já devem ter reparado, todas as minhas maiores teorias certezas  estão relacionadas com comida. Hoje não é diferente, porque a comida faz disto mesmo. Nunca ninguém disse: "estava a engraxar sapatos com os meus amigos enquanto combinávamos a revolução", ou então:  "O assassinato do presidente foi planeado enquanto jogávamos à malha". Por favor, toda a gente sabe que é à volta de uma mesa com comida e bebida que estas coisas se decidem. 

 Hoje venho falar do mais obviamente bem guardado segredo da restauração portuguesa: O doce da casa. Ninguém sabe onde surgiu exactamente mas é uma das maiores histórias de dominância de mercado que o mundo já conheceu. Já repararam que em qualquer restaurante, está lá aquele docinho que tem leite condensado, natas e bolacha Maria? Maria se estás a ler isto não leves a peito, está bem? Se repararam, muito bem, se não repararam fiquem lá no vosso restaurante de hotel com cinco estrelas. Este doce não é inocente, este doce conta muito mais do que um simples "Há em todo o lado". Quem o terá confeccionado primeiro? Onde terá aparecido? São ambas questões válidas, mas eu vou-me focar naquela para a qual tenho resposta, o porquê.E o porquê é muito simples, todos os restaurantes típicos portugueses são na verdade o mais antigo franchise sediado em Portugal (tecnicamente o Pingo Doce é holandês).

Não se acreditam? Pensem bem. Os empregados têm a seguinte disposição: O senhor de bigode que percebe mais sobre salas de jantar do que os nossos cantores pimba percebem de azeite. O sujeito que está ao balcão, manda muitas piadas e já tem a garrafa de bagaço tão bem treinada, que até serve o "cheirinho" sozinha. A senhora que serve os cafés e resmunga com toda a gente. Estereótipos? Nada disso, é um simples caso de normas corporativas. Ainda não se acreditam? Pois bem, vamos lá continuar. As azeitonas são sempre aquelas meio verdes, meio escuras e os copos de vinho não enganam ninguém. As refeições são acompanhadas do arrozinho, ou da batatinha. Para os mais saudáveis há sempre a saladinha mista regada a azeite e com duas azeitonazinhas. Está difícil convencer os leitores, então e já pensaram bem nos nomes? "A tasca da Tina", "A adega do Zé Vítor", todos com a assinatura "Comida típica". O nome é na verdade a assinatura, o resto é apenas para que os ilusivos donos consigam desviar  a atenção para o gerente do estabelecimento. Isto é bem maior do que a própria Maçonaria, estas pessoas estão ao nível daquelas que aparecem nos Panamá Papers mas de que nunca ouviremos falar. Mas se tudo isto não vos é suficiente, pensem uma vez mais no final da refeição, quando não sabem bem o que querem para sobremesa, mas faz parte do menu. Sim, isso mesmo, o Doce da Casa. É a maior prova de como vivemos uma grande mentira gastronómica. Porque razão chamariam Doce da Casa, a uma sobremesa que claramente é feita da mesma forma noutros restaurantes? A resposta é só uma, o doce é o mesmo e a casa também.

 

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por Nhex às 23:25

Este post é falso, só que não...

por Nhex, Sábado, 12.03.16

Antes de mais queria que percebessem que sou um individuo que não tem vergonha do que escreve, tipo, a sério, leiam o meu blog. Já leram tudo? Ok, ainda bem. Mais do que isso, confio que os meus leitores (esses dois ou três) consigam ver mais do que a superfície, num tema que pode ser realmente fútil. Assim, talvez consigam perceber aquilo que vos trago hoje. É muito simples, este post é tão falso como verdadeiro e se alguma vez este blog tivesse uma secção desportiva, muito provavelmente este seria o não-desporto rei. Ainda não perceberam do que estou a falar? Repararam na imagem desta publição? Não? Então já lá chegamos. Vamos começar.

A história de hoje, leva-nos até ao  ano passado, quando comecei a investigar a personagem criada por Randy Poffo, conhecida como "Macho Man Randy Savage" (fixem os nomes, são todos a mesma pessoa). Eu sei, o nome é sexista, e tudo menos politicamente correcto. Surgiu numa altura em que ninguém se sentia ofendido por coisas tão inofensivas, o que pensando bem nos leva na verdade aos anos oitenta, ou noventa do século passado.  "Mas ó meu caramelo, tás praí a falar do quê?" Perguntam vocês. E muito bem. Ora, este senhor era aquilo que no mundo do não-desporto se chama  de wrestler, aqueles sujeitos americanos que se vestem de tanga, ou collants e "lutam" entre suor e lágrimas por um cinto.  Sim, homens sem calças que lutam por um cinto (obrigado 9GAG).

Como já disse, estamos aqui para falar da personagem, não do atleta. Até porque se eu começasse a escrever sobre um qualquer tipo de exercício físico, acabava por ir buscar as minhas bolachas do Mini Preço. Como não estamos cá para isso, vamos começar pela minha admiração sobre o génio escondido de um homem que passou a sua carreira profissional a executar complexos "movimentos acrobáticos". Randy Savage não desarmava a sua postura em nenhum momento, ele sabia que era polémico, ele improvisava quando os seus patrões lhe diziam que não o podia fazer, ele espalhava o caos num ambiente que era controlado até ao mais pequeno detalhe. Randy Savage era primeiramente um entertainer antes de ser um atleta e, da mesma forma que admiro muitos atores, políticos, personagens históricas e outros anormais que me fazem parecer alguém mais culto e inteligente, admiro também este senhor. Ok, já sinto o julgamento, "mas ó seu parvalhão, tu que parecias um moço inteligente, estás para aqui a falar de wrestling?". É verdade, estou mesmo, nunca pensei que me iria acontecer mas a verdade é esta. Se conseguimos reconhecer o génio em "artistas" que pintam um risco na parede, não vejo inconveniente em reconhecer o génio em alguém que era mestre do improviso, que tinha um humor muito característico e que se tornou um ícone naquilo que fazia. 

Já referi, que desde o ano passado,  tenho investigado esta personagem. O que me cativou foi a forma como a loucura transmitida se transforma facilmente em inspiração, e quando falo em inspiração, falo daquela que me leva a escrever coisas como o "Bimbynator", ou fábulas nas Berlengas. Randy Savage poderia facilmente ser uma das personagens deste blog. Mais do que palavras e acreditem, o vocabulário de Randy Savage é bem melhor do que isto, acho que devemos sobretudo ficar com imagens daquilo que era o Macho Man. Sem mais demora deixo aqui um "bochecho" da sua enorme capacidade de comunicação:

 

 

Este era um homem, que eu acredito, poder ser lançado para um palco, com o objetivo de falar sobre o manual de instruções de um xilofone e transformar o evento, no maior espetáculo de stand up alguma vez visto. Por vezes encontrámos referências nos sitios mais improváveis, mas é para isso que a Internet serve, certo? A verdade é que muitas das suas monumentais frases ficam no ouvido. Randy Poffo deixou este mundo em 2011 mas eu acredito que Randy Savage vai ficar cá para sempre.

 

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A queda sem ascensão do Nerd Clássico

por Nhex, Sábado, 13.02.16

ಠ_ಠ ( ︶︿︶) É láá, desculpem, estava a fazer caras enquanto isto não arrancava. Hoje trago-vos um texto documental, que surgiu depois de eu ter oservado o ambiente de trabalho numa empresa tecnológica. Tendo em conta o cenário apresentado, chega o dia de procurar aquela pessoa que viu todos os filmes da saga Alien, que jogou World of Warcraft até se ver obrigado a fazer uma sessão de alcoólicos anónimos, que guarda com boas memórias os tempos em que carregava o Doom no DOS, ou se orgulha de ainda ter o seu Spectrum. Quando chegou esse momento, essa pessoa não apareceu (só mais tarde, por agora precisamos de drama).

Calma, calma! Peço perdão, mas tirei eu um curso de Engenharia Informática, com todo o fanatismo por estes temas para quando chego ao mundo do trabalho, não encontrar praticamente nenhum estereotipado como eu? Isto não me deixou chateado, deixou-me sim intrigado. É importante saber, em, que ponto da história o informático deixou de ser o "Nerd" e passou a ser aquela pessoa que vai ao ginásio, que deixa de fazer visitas virtuais a museus, que bebe Gin à noite e tenta dançar, em vez de uma boa dose de Red Bull e café para conseguir aguentar a maratona de uma Lan Party.

 Provavelmente até nem é importante saber isto, mas precisava de uma introdução fixolas para a minha teoria sobre a queda sem ascensão do Nerd Clássico. Depois de uma intensiva pesquisa de dois minutos, em que decidi que o título do meu próximo post seria este, comecei a tirar as minhas conclusões. São três pontos de viragem, que alteram o paradigma de como um informático vive a sua vida.

 O primeiro ponto de viragem na postura introvertida, das pessoas envolvidas em tecnologia, data de 1994, quando Bill Gates decidiu a meio de uma entrevista, saltar por cima de uma cadeira. Não sabem do que estou a falar? Provavelmente não, mas podem encontrar mais detalhes neste endereço (sim é uma hiperligação)... Ok, vou dar mais um tempinho... Estejam à vontade, vejam com atenção o majestoso salto do senhor Gates. Estamos prontos? Porreiro. Este é o primeiro ponto de viragem, porque é aquele que incute a motivação necessária para que quem é sedentário decida fazer alguma coisa em relação à sua actividade física. Estamos a falar do Deus supremo da tecnologia, é normal que este evento ainda hoje tenha repercussões positivas na comunidade. Deixo-vos ainda uma pergunta, já tentaram saltar por cima da vossa cadeira de escritório hoje?

 Não podemos falar de Bill Gates, sem falar de Steve Jobs. Isto leva-nos ao segundo ponto na evolução extrovertida do Nerd Clássico. O homem era um comunicador nato, podia até apenas saber como se carregava um iPhone e apenas com isso vender milhões de unidades. Isto foi absorvido por milhões de pessoas atentas, que nos levou a um novo patamar da evolução que aqui relatamos. Foi a partir daqui que todos começamos a fazer apresentações fantásticas sobre como o nosso código fonte funcionava e a passar a cadeiras à tangente. Ao ler este parágrafo, começo a aperceber-me que muitas pessoas me podem odiar... O que me dá alento e uma ténue sensação de segurança, é estar nas Berlengas e escrever em português. Toda a gente sabe que mal temos dinheiro para pagar as contas, quanto mais comprar produtos da Apple. Qualquer ofensa que possa ser sentida em relação ao senhor Jobs vai certamente passar ao lado, porque acima de tudo, além das razões apresentadas anteriormente só a minha mãe é que deve ler isto. Com sorte o duende Alfredo faz a correcção dos erros. Mais do que este cenário é puro sucesso.

 Para o meu terceiro e último ponto, não me acredito que a simples pesquisa "famous drunk engineers" me tenha dado a maior pérola desta publicação. Já ouviram falar do senhor Bob Widlar? Não? Ainda bem, porque o pouco que li dele na Wikipedia merece ser aqui replicado. Este senhor foi um pioneiro dos circuitos integrados e todas essas partes mais aborrecidas de ser um engenheiro/génio. Não nos podemos esquecer que estamos apenas a falar das questões de personalidade. E se os nossos anteriores alvos, são titãs, posso garantir que não são nada ao lado deste senhor. Ao que parece, Bob, bebia que nem um campeão e por diversas vezes a bebida transformava-o num lutador. Consta também que não era grande Rocky Balboa. Podemos assumir isto como o dançar moderno, afinal de contas estamos a falar dos anos sessenta. O que é mais incrível, e acompanhem-me nesta (por favor?), é que uma das histórias deste senhor vai convenientemente de encontro à minha descrição do Informático moderno. Numa palestra na Europa, Bob recusou-se a continuar o seu discurso enquanto não lhe servissem mais Gin, sim, Gin. Confirmando assim o triângulo das bermudas do Nerd Cássico, muitas vezes associado às áreas dos sistemas de Informação.

Lançadas as fundações, quis o destino que o informático evoluísse e com ele evoluísse também o Nerd Clássico. Chamem-me um romântico mas ninguém me tira uma boa noite de jogo com amigos, nem uma boa maratona da saga Alien, até podem incluir aquelas duas aberrações chamadas Alien vs Predator.

 

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Bob Widlar @hackaday.com

 

 

 

 

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Zero Zero Febra!

por Nhex, Segunda-feira, 17.08.15

Há uns dias, em tom jocoso, publiquei numa conhecida rede social (o HI5) o seguinte: "Quando os vossos secretos de porco preto demoram a chegar à mesa é porque provavelmente estão a interrogar um frango.". Desde então tenho estado a pensar,  se isto é, na verdade, aquilo que acontece. A única forma de provar o que foi dito, é criando uma teoria fortemente alicerçada em factos inegáveis, pelo que a investigação começa agora. E sim, já sei o que estão a pensar: "Falas tantas vezes de comida que isto mais parece um blog do Gordon Sá Pessoa". Pensamentos à parte, a história que vos trago hoje é, mais uma vez, jornalismo no seu mais puro estado.

Para quem pensa que esta teoria da conspiração é uma história recente, temos de voltar atrás no tempo, especificamente, a 18 de Setembro de 1947. O que aconteceu a 18 de Setembro de 1947? Bem, nascia uma organização irrelevante e que pouca gente conhece por esse mundo fora, a CIA (Central Inteligence Agency). Provavelmente nunca ouviram falar porque eles são uma agência secreta americana e passam a maior parte do tempo no médio oriente (onde a carne do animal aqui tratado não é consumida). E o que acontecia paralelamente no nosso país? Estavam certamente em construção edifícios que eventualmente teriam uma churrasqueira em funcionamento. E o que se faz nas churrasqueiras? É costume fazerem churrasco, também já vi umas com saladas, mas, acima de tudo estão dotadas da capacidade de, fazer  treinar secretos de porco preto . Esta é a nossa primeira prova. Mas não saiam do vosso lugar, esta investigação continua.

Para a nossa segunda prova, temos que voltar ainda mais atrás no tempo, mais precisamente, ao Japão feudal, onde toda a gente andava à "katanada" com toda a gente. Foi também nesta era, que foram criados os mais famosos agentes secretos/assassinos da história conhecida. Eles são nada mais, nada menos que os poke... os ninjas. Os ninjas eram aqueles senhores que se vestiam de preto e trepavam aos telhados das casas das pessoas para lhes limpar a sala, a privacidade e às vezes a vida. Mas isso já são rumores. Quem é que se veste como os ninjas? O porco preto. Para quem não sabe a carne de porco é a carne mais consumida no Japão e ainda mais interessante é o facto de existir uma espécie de porco preto registada como Kagoshima Kurobuta. Agora que implodi os vossos neurónios, arranjem um tempinho para respirar, porque ainda falta a prova mais reveladora.

O Kagoshima Kurobuta é na verdade, e se as minhas fontes não me falham, uma espécie importada da Inglaterra que se dá pelo nome de Berkshire. Um porco desta espécie é também o antagonista no livro de George Orwell "O Triunfo dos Porcos". E porque é  este dado é importante? Bem George Orwell, pelos seus ideais esquerdistas, foi investigado pela policia secreta espanhola e formalmente acusado de espionagem num tribunal espanhol a 13 de Julho de 1937, pelo envolvimento do movimento "trotskista" a que pertencia, na guerra civil espanhola. Antes que me esqueça, George Orwell nasceu curiosamente na Índia, onde esta carne não é também muito apreciada.

Ainda não acreditam que os pedaços de carne aqui investigados, não andam, secretamente, ao serviço de sua majestade (ou não), por esse mundo fora a entregar frangos ao KFC e a escravizar vacas para a Mimosa?

 

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Dizem que esta é a única peça de roupa que usam. 

 

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por Nhex às 22:44

Bimbynator?

por Nhex, Segunda-feira, 02.02.15

 

Não sei se repararam, mas, esta publicação começa com uma linha em branco. Sou tão hipster... Deixemos então a literatura experimental e vamos lá ao que interessa. Hoje, vou falar sobre o fenómeno Bimby e toda a malevolência envolvente por detrás da história deste utensílio de cozinha,  ou, microondas, ou, forno, máquina de fazer pipocas? Certo, eu sei pouco sobre esta criatura, mas sei o suficiente para vos contar a próxima grande história do jornalismo mundial.

Esta máquina, ao que parece, faz mil um tipos de refeições com o mínimo esforço possível para quem a manuseia. A mim parece-me muito bem... Ou será que parece? A cada nova versão, novas funcionalidades: ecrã táctil, lâmina trituradora indestrutível melhorada, upload de receitas, raios laser etc... 

A verdade é que, a longo prazo, o plano é fazer com que o máximo número de pessoas no mundo a adquira. Porquê? Porque, assim é possível retirar a capacidade de cozinhar sem auxilio ao ser humano. E quando essa capacidade estiver reduzida a um ou dois estudantes universitários, as máquinas atacam. E atacam simplesmente não fazendo nada, obrigando o mundo civilizado a passar fome, ou a comer ramen do LIDL. Guerras começam pela comida da avó e muitos outros desastres consequentes da estupidez humana.

Mesmo assim, nem tudo está perdido. Sabendo do perigo iminente, a resistência à dominação mundial é imposta no preço do produto, porque esse "nós" ainda podemos controlar. Apesar de tudo a sua prima mais nova "Yammy" está aí para dar uma ajuda, é mais barata dizem.

Resta-me apelar à calma e tenham cuidado com os robots de cozinha (sim há quem lhes chame isso). Para terminar apostaria num filme sobre o assunto. Algo que apelasse à sensibilidade humana, protagonizado por Arnold Schwarzenegger.

 

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por Nhex às 18:46

E num assunto não relacionado...

por Nhex, Sábado, 29.11.14

"Nobody knows it but you..." Ah maldição! chegaram mesmo no momento em que eu cantava os hits românticos dos anos noventa... E se acham que era escusada esta entrada, se calhar até têm razão, mas, aqui eu posso fazer tudo. Só não posso dobrar o tempo e o espaço. O tempo, porque sou constantemente lembrado que uma cópia de segurança foi gravada a "x" horas. O espaço, porque não dá jeito dobrar uma página de um blog a não ser que ela esteja imprimida.

Esta semana foi forte em emoções para o povo português. O cante alentejano considerado património imaterial da humanidade, o Sócrates detido e o Alfredo ganhou os cem metros barreiras das Berlengas. Adivinhem qual é para mim a mais importante? Vou deixar "alguns" parágrafos para vos deixar pensar.

 

 

Pois claro, o nosso Alfredo, vencedor dos cem metros barreiras das Berlengas. Completou a prova em setenta e três horas e meia. Isto porque, estas barreiras, não são umas barreiras quaisquer. 

A prova é constituída por quatro obstáculos especialmente desenhados. São eles, o campo magnético, o monte de alho francês, um grupo de fãs do Luís Represas e a barreira linguística. E como funciona cada uma destas provações é o que vou explicar de seguida.

Começando pelo campo magnético, os atletas necessitam de recorrer a dois ímanes e três canetas de acetato além de também ignorar todas as leis da física para prosseguir. No monte de alho francês os atletas têm que perceber que, isto é uma prova a sério e não uma qualquer festa de São João no Porto. O belo grupo de fãs do Luís Represas. Basicamente trata-se de um grupo de pessoas que pensa que o homem participa na prova e assim ocupa a pista deliberadamente. Por fim, a barreira linguística. O derradeiro obstáculo, especialmente personalizado para cada atleta em prova. Este consiste em estabelecer conversação, para indicar a mercearia mais próxima, a um falante de uma língua estrangeira. Para o Alfredo, foi escolhido um gajo português. O Alfredo é um duende (se não sabiam, façam uma pequena pesquisa, nós somos a nossa própria Wikipédia...) e não fala português. Arranha no mirandês e a gente entende-se pelo tradutor do Bing. Ou seja, após dois minutos de prova vieram os próximos quatro mil quatrocentos e oito. A verdade é que o Alfredo conseguiu dar a volta à situação porque leu sinais de trânsito suficientes para conseguir dar indicações. E assim foi, venceu a prova com horas de avanço do segundo classificado, que teve que falar com um daqueles cães que parece que dizem palavras.

 

Se depois disto a pergunta que fica é: "porquê os números por extenso?" A minha resposta é: porque fica mais chique...

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por Nhex às 01:30

Ah! Seu camarão...

por Nhex, Sábado, 15.11.14

Ora boa noite, ou será mesmo boa noite? Será que eu não programei a automática para esta hora? "Uou illuminati" - está a pensar quem lê isto (as três pessoas que lêem isto quero eu dizer). Nos últimos tempos, tenho lido sobre uma espécie de camarão cósmico, que parece quase saído de um filme de animação da Disney. O raça do bicho tem receptores para dezasseis diferentes cores, nós, míseros mortais temos apenas três. Conseguem imaginar uma cor que não existe? Além disso é capaz de desferir um golpe com os seus ganchos frontais a uma velocidade absurda. Basicamente, espeta uma galheta como quem dá um tiro. Grandes referências como o The Oatmeal falam sobre tudo isto e muito mais, mas nós aqui sabemos sempre mais qualquer coisinha... Antes que me esqueça, o nome desta criatura é algo tipo Estomatópode, mas vamos apenas ficar por camarão (até porque eu nunca sei em que português está escrita a Wikipédia).

Como eu estava a dizer, o que as pessoas não sabem é que a elevada capacidade de visualizar cores e a aptidão para o pugilismo, levaram alguns destes animais ao topo da nossa sociedade. Conhecem aquele livro que tem tipo muitas cores? O Pantone ou lá como se chama... Bem esse livro não é sobre cores. Aquilo é na verdade um romance escrito por uma destas criaturas, mais concretamente o Alcides Pantone. Sobre o que é o romance ninguém sabe ao certo, apenas se sabe que é mais colorido que os do Nicholas Sparks...

E a primeira rixa num jogo de matrecos? Um camarão conhecido apenas como, Tino, encaixou um desses fantásticos socos, bem no queixo de um outro espectador. Isto aconteceu porque Tino reparou que o outro cavalheiro estava a comer uma sapateira recheada que ele conhecia desde a infância. Tudo se passou no Café Real e escalou para os jogos do Marinhas em casa. A pré-história do hooliganismo, que nos assola até os dias de hoje.

 

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Sim, é isto.

 

 

 

 

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Ar de Rock e pinguins.

por Nhex, Segunda-feira, 19.05.14

 Lembram-se do Salazar? Certamente já ouviram falar sobre esse sujeito. Ora, durante o Estado Novo o Povo Português vivia numa gigantesca repressão cultural. Como tal, apenas anos mais tarde foi possível o aparecimento das nossas bandas de Rock n' Roll. Ou, terá sido mesmo assim?

 Hoje, conto-vos a inacreditável história da primeira banda de Rock Português. O Alfredo, o nosso duende residente, encontrou no outro dia, ali na praia do Carreiro do Mosteiro, um diário muito estranho e decidiu estudar o seu conteúdo. Como resultado, chega-nos a saga de três homens e um pinguim albino, que, foram os pioneiros da música contemporânea em Portugal.

 Tudo começou em 1962, quando um dinamarquês de nome H. C. Andersen naufragou ao largo do nosso místico arquipélago. Resgatado por dois pescadores, prontamente foi questionado sobre as suas intenções. Estes homens pertenciam à PIDE, também conhecida por: Pescadores Internacionais de Esposende. Na verdade, só queriam saber o que andava este tolinho a fazer por ali naufragado. Continuando... Andersen viu num atlas a bandeira do nosso país. Quando reparou, que, o nosso vermelho tinha um tom mais agradável que o vermelho dinamarquês, decidiu trocar de país. Ou pelo menos, é o que diz no diário. Ora temos dois pescadores portugueses e um naufrago dinamarquês. Toda a gente sabe que essa é a receita para o sucesso.

 Recebido no abrigo que os pescadores tinham na ilha, Andersen começou por conhecer os homens que o acolheram. Mais tarde é que decidiu que se calhar devia também aprender a falar a nossa língua. Luciano Parvalheira e André Aboxéliu eram dois jovens pescadores que passavam noites a beber vinho tinto do bom, a tocar guitarra e a cantar. Andersen não ficou indiferente, ele sabia tocar o exótico instrumento que era a bateria. Talento puro, foi o que ele pensou. Eis que num desses serões, o dinamarquês pronuncia as suas primeiras palavras em português: "Ê pá, se calhar formávamos uma banda, não?" - Entusiasmados com a ideia, os portugueses, aceitaram logo a proposta. Andersen sugere um estilo pouco habitual por estas bandas, o Rock n' Roll. Viajado que era pelo mundo, eram os sons de Chuck Berry e os seus amigos americanos que o faziam tremer. Sem saber como ensinar este estilo aos pescadores, decidiu tentar a sorte com o típico, "é tipo Amália, só que não é". Com dois dedos de guitarra sai um verso sobre conduzir um Marlei (o equivalente ao Cadillac português na altura). Era mesmo aquilo que Andersen queria.

 Faltava apenas a bateria, que por coincidência veio com Andersen no seu iate. O problema, era que a bateria estava precisamente no fundo do mar. É aqui que entra o principal parceiro do trio. Manuel Augusto, um pinguim albino perito no resgate marítimo. Prontamente, este grupo improvável contactou a criatura. Augusto decidiu que ajudava os três homens, com uma condição. Teria que ser o manager da banda. Como toda a gente sabe que o pinguim é provavelmente o animal que mais percebe de negócios, os três companheiros aceitaram  de imediato. Duas semanas, um guindaste e uma bóia em forma de pato Donald, foi o custo para retirar o instrumento das profundezas do oceano. Na verdade eram apenas dois metros de profundidade. Havia era muitas algas. 

 Em dois meses, o grupo tinha dez canções. Guiados pelo Jazz, Blues e o Trítono, os êxitos estavam garantidos. Havia apenas um problema. O país vivia assolado pela ditadura e os ranchos folclóricos, para não falar da Igreja Católica que era pouco amiga dos sons do rock. Para começar era preciso dar um nome à banda, após alguma discussão foi escolhido: "Nós mais o gajo norueguês", isto porque o bacalhau da Dinamarca não é tão bom. De seguida foi necessário escolher cuidadosamente os locais onde divulgar a música. Foram contactados dois padres corruptos, que alugavam o centro paroquial a qualquer um, além disso, dois sacristães comunistas (se é que alguma vez se viu ironia) conseguiam o mesmo negócio. Estava garantida uma digressão, pelas seguintes terras, Freixo-de-Espada-à-Cinta, Lamego, Viseu e Alfafar. Como meio de divulgação, foi usada a rede de jornais clandestinos da oposição ao regime.

 A última entrada no diário foi feita, ao que parece, antes do concerto em Alfafar. Andersen escreve sobre a sua desconfiança sobre o senhor do café. Ao que parece não ficou convencido pelo seu bigode e suspeitava que era um "chibo" da PIDE. Não confundir com a associação de pescadores. Toda a gente sabe que a policia do Estado teve que mudar o nome para DGS (Direcção-Geral de Segurança) porque a associação piscatória era muito mais querida pelo povo. Sendo assim, podemos talvez presumir que o destino desta banda tenha sido ditado pelas politicas culturais impostas na altura. De qualquer forma, temos que agradecer ao duende Alfredo por ter recuperado uma página (ou várias) da História Portuguesa.

 

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por Nhex às 01:27

O "Survivor" das Batatas.

por Nhex, Sábado, 12.04.14

 Lembram-se daquele programa que dava na televisão, o "Ponto de Encontro"? Ainda bem que se lembram, mas, não é disso que vamos falar. E agora pensam vocês: "Ah, este anormal vai falar sobre aquele programa da ilha". Não, este anormal, vai fazer uma pequena referência a esse programa televisivo. Aquele em que alguns americanos eram atirados para o meio de uma ilha. Ilha essa, que ainda hoje, suponho que seja algures perto das Berlengas. Eu sou português e como tal apetece-me contar a lendária batalha pela sobrevivência das nossas batatas. Isto não são umas batatinhas quaisquer. Estou a falar de batatas do mais alto gabarito gastronómico. Eu diria quase, que,  a batata portuguesa que nos chega à mesa é uma batata de caça.

 O ano é 1986 e Portugal adere à União Europeia. Mundos e Fundos começam a "inundar" os nossos cofres. Uma das áreas alvo destes programas é a Agricultura. O dinheiro é então distribuído pelos produtores. Mas há um problema. Uma grande parte destes produtores decide que este dinheiro não vai ser usado no desenvolvimento da sua actividade, mas sim, na compra de bens pessoais. Portanto, se calhar estou a exagerar, se calhar não. Eu não percebo nada do assunto. Sou um simples "blogonauta" e o que conheço do mundo é-me ditado da Internet por um duende chamado Alfredo. O que não deixa de fazer sentido é que o custo de produção seja mais alto, através de técnicas antigas. O que quero dizer com isto, é que, por exemplo, em Espanha as batatinhas são bem tratadas porque o investimento certo foi feito na altura. Isto faz com que o custo de produção seja mais baixo e por isso o custo de venda seja mais baixo também. Ora, em Portugal não. Como temos muitos casos de uso de técnicas antigas (suponho eu) a nossa batata acaba por custar mais a produzir e a ter um custo de venda mais alto. Ora, não nos podemos queixar. Isto são batatas que aguentaram condições extremas e é aí que surge a história de hoje.

 Num campo com enumeras batatas, apenas algumas sobrevivem. Usando os mais variados recursos. Desde pedras, a toupeiras mercenárias, passando pelas falsas acusações de bataticídio. A batata portuguesa é um perfeito exemplo da "lei do mais forte". Toda a gota de água é importante em tempos de seca. A absorção de nutrientes por recurso a actos de canibalismo batatal são recorrentes. Já alguma vez ouviram uma batata a gritar? Claro que não, elas são tão fortes assim. O guerreiro perfeito, que se fosse um ser mais avançado dominava facilmente o mundo. 

 

 

 

 

Isto é uma batata antes de ser preparada para venda.

 

 

 

 

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por Nhex às 00:42

Super Cheio vs Le Tremoço

por Nhex, Sábado, 22.03.14

 Esta é a história da rivalidade entre dois seres superiores. Poderia até ser uma história sobre outra coisa qualquer, mas não é. Um duelo quase imortal que abalou as próprias fundações do planeta Terra, ou se calhar não, mas tem mais piada assim.

 Tudo começou numa bela noite de Inverno, à hora de jantar. Albino Castanheira sentou-se à mesa com a sua família (Constituída por: uma boneca de porcelana e um papagaio de papel). O jantar, era a famosa "massa com tudo", que o nosso personagem aprendeu nos seus tempos de estudante universitário. Visto que nenhum dos outros membros aparentava estar com muita fome. Albino decide comer toda uma panela de massa. E esta não era uma massa qualquer. Era um sortido das mais requintadas iguarias italianas. Mais concretamente, uma embalagem de espirais e um fio de esparguete que andava lá perdido no armário. Ao terminar, exclama: "Estou super cheio!". Nesse momento apercebe-se que a sua vida ganhou todo um novo significado. O nosso herói era agora isso mesmo, um herói. Porque toda a gente sabe que se estamos "super" qualquer coisa, então somos especiais.

 As possibilidades eram infinitas, combater o crime, curar doenças, salvar gafanhotos atropelados na berma da estrada. Até mesmo, lavar a loiça. Mas como todos os super heróis, havia um ponto fraco. Levantar-se da mesa seria um verdadeiro desafio. Então, Super Cheio começou por combater o cibercrime e a curar doenças com "gostos" no Facebook. Os gafanhotos ficariam para já à mercê da mãe natureza e dos Fiat Uno que não respeitam os animaizinhos. 

 Enquanto castigava severamente um burlão via e-mail, ouve um barulho vindo do frigorifico. A porta abre-se e Super Cheio, com horror,  fica pálido, como se alguém lhe tivesse despejado um frasco de Maisena em cima. À sua frente estava, nada mais nada menos, do que "Le Tremoço". 

 "Le Tremoço" tinha um único objectivo. Esperar que Albino se transformasse em Super Cheio. Isto para que em momento oportuno pudesse alimentar fatalmente o nosso herói. Sim, porque não nos podemos esquecer, que alguém super cheio está a um tremoço de uma indigestão. O tremoço foi outrora um simples petisco de conserva. Ficando esquecido na solidão do seu frasco durante 3 anos, num frigorifico, em que nem sequer a luz funcionava com o abrir da porta. O liquido de conserva era já radioactivo e a escuridão imensa. Esta era uma criatura das trevas. Um dos seus poderes era a capacidade de saltar longas distâncias. Super Cheio foi rápido a reagir ao usar o seu computador portátil como escudo. Mas ainda faltava pelo menos uma hora para haver espaço na sua barriga. A única forma de derrotar o tremoço era comendo-o. A única forma de derrotar o Super Cheio era alimentando-o num estado de plena fartura. E durante quarenta e cinco minutos o combate durou. O tremoço saltava e logo era arremessado para o outro lado da sala. E ao minuto quarenta e seis, o tremoço salta uma última vez para ser arremessado janela fora. De repente, Albino sente o seu poder a desvanecer e consegue levantar-se para fechar a janela. O tremoço estava derrotado, por agora...

 

 

Tremosae Tuberculosis a doença que originou "Le Tremoço"

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por Nhex às 03:22