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O grande franchise português

por Nhex, Segunda-feira, 18.04.16

Olá, está tudo bem? E assim começa a típica conversa de quando começamos a falar com alguém a quem vamos pedir algo. Pois bem, não é sobre a arte de comunicação na Internet que eu venho falar hoje. Como já devem ter reparado, todas as minhas maiores teorias certezas  estão relacionadas com comida. Hoje não é diferente, porque a comida faz disto mesmo. Nunca ninguém disse: "estava a engraxar sapatos com os meus amigos enquanto combinávamos a revolução", ou então:  "O assassinato do presidente foi planeado enquanto jogávamos à malha". Por favor, toda a gente sabe que é à volta de uma mesa com comida e bebida que estas coisas se decidem. 

 Hoje venho falar do mais obviamente bem guardado segredo da restauração portuguesa: O doce da casa. Ninguém sabe onde surgiu exactamente mas é uma das maiores histórias de dominância de mercado que o mundo já conheceu. Já repararam que em qualquer restaurante, está lá aquele docinho que tem leite condensado, natas e bolacha Maria? Maria se estás a ler isto não leves a peito, está bem? Se repararam, muito bem, se não repararam fiquem lá no vosso restaurante de hotel com cinco estrelas. Este doce não é inocente, este doce conta muito mais do que um simples "Há em todo o lado". Quem o terá confeccionado primeiro? Onde terá aparecido? São ambas questões válidas, mas eu vou-me focar naquela para a qual tenho resposta, o porquê.E o porquê é muito simples, todos os restaurantes típicos portugueses são na verdade o mais antigo franchise sediado em Portugal (tecnicamente o Pingo Doce é holandês).

Não se acreditam? Pensem bem. Os empregados têm a seguinte disposição: O senhor de bigode que percebe mais sobre salas de jantar do que os nossos cantores pimba percebem de azeite. O sujeito que está ao balcão, manda muitas piadas e já tem a garrafa de bagaço tão bem treinada, que até serve o "cheirinho" sozinha. A senhora que serve os cafés e resmunga com toda a gente. Estereótipos? Nada disso, é um simples caso de normas corporativas. Ainda não se acreditam? Pois bem, vamos lá continuar. As azeitonas são sempre aquelas meio verdes, meio escuras e os copos de vinho não enganam ninguém. As refeições são acompanhadas do arrozinho, ou da batatinha. Para os mais saudáveis há sempre a saladinha mista regada a azeite e com duas azeitonazinhas. Está difícil convencer os leitores, então e já pensaram bem nos nomes? "A tasca da Tina", "A adega do Zé Vítor", todos com a assinatura "Comida típica". O nome é na verdade a assinatura, o resto é apenas para que os ilusivos donos consigam desviar  a atenção para o gerente do estabelecimento. Isto é bem maior do que a própria Maçonaria, estas pessoas estão ao nível daquelas que aparecem nos Panamá Papers mas de que nunca ouviremos falar. Mas se tudo isto não vos é suficiente, pensem uma vez mais no final da refeição, quando não sabem bem o que querem para sobremesa, mas faz parte do menu. Sim, isso mesmo, o Doce da Casa. É a maior prova de como vivemos uma grande mentira gastronómica. Porque razão chamariam Doce da Casa, a uma sobremesa que claramente é feita da mesma forma noutros restaurantes? A resposta é só uma, o doce é o mesmo e a casa também.

 

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por Nhex às 23:25