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Parece mentira, mas estamos cá há dez anos!

por Nhex, Domingo, 01.04.18

 

 

Há dez anos atrás, um jovem que tirou "9" no exame nacional de português, começava a escrever um blog porque tinha chumbado a Matemática e tinha que repetir a disciplina. Há dez anos atrás, esse jovem, tinha duas aulas por semana e estava numa encruzilhada gigantesca. Esse jovem que escrevia com "k", sem hífens e mesmo muito muito mal. Foi graças a uma emigração forçada, de Esposende para o quadrante 42 das Berlengas e com a ajuda de um pombo correio e de um duende chamado Alfredo, que esse jovem recuperou a sua língua (mesmo que às vezes a potuação seja tipo José Saramago, mas ele é que foi Nóbel da Literatura). 

Dez anos volvidos e o Fumar Orégãos ainda aqui está. Mesmo que muitos pensem que se foi embora, o Fumar Orégãos vai sempre existir enquanto eu, o alfredo e o nosso batalhão de pombos correio (sim, agora somos corporate) aqui estivermos. Chega a altura de olhar para trás e fazer uma retrospectiva deste verdadeiro canto lírico que é a nossa obra.

Em 2008, tinha de repetir matemática e tinha acabado de sair da minha banda de Heavy Metal, não sabendo bem o que ia ser a minha vida. Então decidi fazer um blog para contar as minhas histórias. Comecei por contar histórias sobre pandas polares e ursos tropicais, comecei a denominar as minhas espécies em latim (como é óbvio) e a contar todas as diarreias mentais que me ocorriam, sobretudo influenciado por tantas pessoas que na altura faziam parte da minha vida. Não é lamechas é mesmo assim, essas mesmas pessoas que foram inspiração para o meu humor nessa altura, ajudaram-me a fugir da depressão juvenil quase certa. Pessoas como as da minha turma de matemática, que me ajudaram bastante naquelas horinhas de estudo nas aulas de apoio, pessoas da minha família que ainda hoje me dão quinze a zero em qualquer desgarrada de piadas, pessoas que me eram próximas e afastadas que com pequenas frases me foram ajudando a criar enúmeras personagens. Pode-se dizer que é graças ao mundo que tinha em redor que as coisas começaram a sair. Umas vezes às custas de José Sócrates, outras às minhas próprias custas.

Querem saber a melhor? O zero a matemática, que foi um sortudo nos últimos colegas e professores de secundário que lhe calharam, entrou num curso de engenharia. Bem, o que é que eu fui fazer à minha vida. O contexto, último colocado da minha última opção, o local, Tomar, a instituição, Instituto Politécnico e Tomar. E que montanha russa foram esses anos. Cinco anos numa licenciatura pós-Bolonha (sim chumbei, queriam o quê?). Em Tomar aprendi o que era gerir o meu dinheiro, a reivindicar os meus direitos perante regras conservadoras e sobretudo aprendi a sofrer. E nada melhor do que sofrer com todos os colegas e amigos que também fiz nessa grande aventura. Cinco longos anos que passaram a correr. Levo fantásticas histórias, desde os meus amigos que decidiram levar um sinal da rua para casa, porque se lembraram que não tinhamos um caixote do lixo na cozinha (sim sinal tinha um caixote e, dado importante, foi tudo devolvido em condições). Ao projeto final de curso, que a a duas semanas do prazo de entrega, decidiu finalmente começar a funcionar. Até hoje acredito piamente que houve intervenção divina (Bill Gates ou assim). Tenha sido o que for, eu e a minha colega de grupo sofremos de stress pós-traumático durante largas semanas.

 

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Posts como os que contam os confrontos entre M&M's, sairam de longas histórias onde "só iamos tomar café". Mais uma vez, o mundo e as pessoas em redor influenciaram a minha obra literária. Aprendi terminologias açoreanas, o que era a gastronomia madeirense e que havia pessoas que não gostavam de bolo de chocolate, enfim, foi uma experiência para a vida.

No lusco-fusco do final de curso, a procura de emprego foi acompanhada com os canecos bem acompanhados da malta cá da terra. Seis longos meses até finalmente ter conseguido enganar alguém com o meu currículo. Estou a brincar, foi tudo mérito (cof). Esses meses apenas se conseguiram passar mais uma vez com pessoas, que entre copos e conversas até me ajudaram a criar algumas das minhas publicações. Isso e a jogar bomberman na Nintendo Wii até às sete da manhã. Não me posso também esquecer da vez que destruí o microondas da minha mãe graças a uma dessas noitadas (obrigado mãe!).

Como todos os outros ciclos, os da água e os das escolas preparatórias, esta fase de transição também acabou. O jovem tornou-se adulto e arranjou emprego. Mesmo assim, continua a dar atenção, sempre que pode, ao seu catinho da imaginação. O adulto, procura agora casa em Lisboa para viver com a sua namorada, de referir, que graças a ela e a um almoço de família, um dos meus posts favoritos, o "Zero Zero Febra", foi criado. Como devem já ter percebido pelas notícias, encontrar uma casa em Lisboa é tipo encontrar razões para andar de calções no Inverno. Agora que o jovem se tornou adulto, será que cresceu realmente? Eu na verdade não gosto de rótulos mas prefiro as pessoas que me chamam estúpido. Com isto, um muito obrigado aos meus dois leitores, mas agora tenho uma redação com bolo e champanhe prontos para festejar.

 

 

 

 

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por Nhex às 01:54